Murray Bookchin (1921-2006)

ACTUALIZAÇÃO: A sessão sobre Murray Bookchin marcada para quarta-feira, dia 15 de Fevereiro, na Livraria “Ler Com Prazer”, em Évora,  é adiada para o dia 8 de Março devido a doença do companheiro que deveria apresentar o autor. A partir dessa data as sessões do “Ciclodo Pensamento Libertário” retomam a sua periocidade quinzenal com o seguinte calendário:

8/3 – Murray Bookchin
22/3 – Chomsky
5/4 – Jacques Fresco
19/4 – David Harvey
3/ 5 – John Zerzan

writing

Murray Bookchin é o próximo autor a ter o seu pensamento apresentado e debatido no “Ciclo do Pensamento Libertário” que se realiza quinzenalmente em Évora, na Livraria Ler Com Prazer. 

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Murray Bookchin (14 de Janeiro de 1921-30 de Julho de 2006) foi historiador, professor universitário, investigador, ideólogo e activista ecologista norte-americano, fundador da ecologia social e um dos pioneiros do movimento ecologista. Foi também um dos primeiros teóricos do municipalismo libertário e do confederalismo democrático, hoje posto em prática pelo movimento curdo nas zonas libertadas.

É autor de uma extensa colecção de livros sobre história, política, filosofia, assuntos urbanísticos e ecologia. Ideologicamente, Bookchin evoluiu do marxismo tradicional para o socialismo libertário, na tradição anarquista de Kropotkin.

Nasceu em Nova Iorque em 1921, de pais imigrantes russo, que tinham participado no movimento revolucionário na Rússia na época do czares. Muito rapidamente, nos anos trinta, entrou no movimento juvenil comunista, mas ao final dessa década já estava decepcionado pelo seu carácter autoritário. Durante os anos da guerra civil espanhola envolveu-se no movimento nova-iorquino de apoio a Espanha (Support Spain), uma vez que era demasiado jovem para participar directamnet, ainda que alguns dos seus amigos tenham morrido na frente de Madrid. Esteve ao lado dos comunistas até ao Pacto entre Estaline e Hitler em 1939, alturaem que foi expulso por desvios trotskistas.

Ligou-se ao movimento operário e participou activamente na organização de sindicatos no norte do Estado de Nova Jersey quando trabalhava numa fundição, para o Congresso de Organizações Industriais (CIO). Colaborando activamente com o movimento trotskista, durante os anos quarenta trabalhou na industria automóvel, militando durante dez anos na United Auto Workers (AUW), organização claramente libertária antes que Walter Reuther se tornasse seu presidente. Depois de participar na grande greve da General Motors em 1948, começa a questionar todas a suas concepções tradicionais acerca do papel hegemónico da classe trabalhadora industrial, escrevendo posteriormente extensamente sobre o tema.

Durante essa época converteu-se em socialista libertário colaborando estreitamente com exilados alemães em Nova Iorque que tinham abandonado o comunismo e evoluíam para uma perspectiva anarquista (Internationalen Kommunisten Deutschlands). Muitos dos seus artigos dos primeiros anos forma publicados em “Dinge der Zeit”, assim como na publicação irmã em língua inglesa “Comtemporary Issues”. O seu primeiro livro: “The Problem of Chemicals in Food” foi publicado na Alemanha. Foi um dos primeiros activistas políticos a escrever sobre ecologia, tanto nos Estados Unidos, como na Alemanha Federal. Os seus textos contribuíram para alterar a legislação alemã sobre a farmacologia e a alimentação.

Nos anos sessenta envolveu-se nos movimentos contra-culturais e da Nova Esquerda. O seu primeiro livro americano: “Our Synthetic Enviroment” foi publicado em 1962. A seguir escreveu “Crisis in our Cities”, em 1965. Uma colecção intitulada: O anarquismo depois da escassez, 1971, compreendia ensaios tão inovadores como “Ecologist and Revolutionary thougt” (1964) ou “Towards a Liberatory Technology” (1965) que destacavam a importância crucial do tema ecológico e das energias alternativas para os movimento progressistas de qualquer espécie. Até ao final dos anos sessenta, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha circularam peo menos 100.000 exemplares da sua crítica ao marxismo tradicional: “Listen, Marxist!” (1969), influenciando profundamente o movimento da Nova Esquerda americana.

Nos últimos anos da década deu aulas na Universidade Alternativa de Nova Iorque. Em 1974 participou na fundação do Instituto para a Ecologia Social de Vermont e assumiu a sua direcção, adquirindo reconhecimento internacional pelos seus cursos de eco-filosofia, teoria social e tecnologias alternativas. Começou também a dar aulas No Rampo College de Nova Jersey, convertendo-se em catedrático de teoria social, lugar de que se retiraria em 1983como professor emérito.

Viveu os últimos anos semi-retirado em Burlington, Vermont, onde partilhava dois cursos básicos todos os verões no Instituto para a Ecologia Social e dava conferências ocasionais nos Estados Unidos e na Europa. Era consultor editorial de Anarchist Studies e de Society and Nature. Em conjunto com a sua companheira Janet Biehl, e outros, publicou mais de trinta números da revista teórica Green Perspectives.

Uma das suas últimas propostas foi aquilo o que chamou de municipalismo libertário, baseada na recuperação das assembleias populares e na democracia directa ao nível municipal, de vizinhança e de bairro. Para evitar que isso pudesse conduzir a um provincianismo das cidades propõe um confederalismo cívico e uma economia municipalizada, em oposição ao sistema capitalista e à economia estatizada marxista.

Morreu em casa, a 30 de Julho de 2006, de um enfarte. Tinha 85 anos.

A integração das tradições descentralistas, não hierárquicas e populares com a ecologia, a partir da perspectiva filosófica libertária apresentada por Bookchin nos anos 50 e 60 do século passado, quando escreveu e divulgou as suas ideias, era demasiado inovadora naquela altura, mas penetrou posteriormente na consciência dos nossos tempos, em parte também devido aos textos de Fritz Schumacher e de outras ecofeministas que recolhera, o essencial da ideia pedagógica e social dos escritos e das investigações de Bookchin.

Também o confederalismo democrático, baseado nas ideias de Murray Bookchin, tem conhecido um grande desenvolvimento e divulgação ao ser adoptado pelo antigo partido comunista do Curdistão (PKK) e pelo seu líder Abdullah Ocalan, preso há vários anos na Turquia, e que tem servido de base à organização dos territórios curdos libertados na Síria, como é o caso de Rojava.

Daqui, com adaptações: http://www.portaloaca.com/historia/biografias/5578-biografia-de-murray-bookchin.html

textos relacionados:

Autogestão e Tecnologias Alternativas

“ESTE PLANETA MERECE UM DESTINO MELHOR…”

Una breve biografía de Murray Bookchin, por Janet Biehl

Ser un bookchinista, por Chuck Morse

O Curdistão e o Confederalismo Democrático

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