Neno Vasco: o primeiro tradutor de “A Internacional” para português

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Pauta e versos de “A Internacional” (aqui)

Neno Vasco – o anarquista cujo pensamento vai estar esta quarta-feira em análise em mais uma sessão do “Ciclo do Pensamento Libertário”, em Évora – foi o tradutor da letra da “Internacional” para português, numa versão que foi adoptada por vastos sectores do movimento operário em Portugal e no Brasil.

A letra da “Internacional” foi originalmente composta pelo anarquista Eugene Pottier no período da Comuna de Paris (1872), inspirado pela acções de resistência dos “comunards” contra a repressão do governo francês. Era cantada ao som da Marselhesa, até que outro anarquista, Pierre Degeyter compôs a música.

A pé, ó vítimas da fome!
A pé, famélicos da terra!
Ruge a razão, ruge e consome
A crosta bruta que a soterra.
Cortai o mal bem pelo fundo!
A pé! A pé! não mais senhores!
Se nada somos em tal mundo,
Sejamos tudo, ó produtores!

Refrão (bis)

Bem unidos façamos,
Nesta luta final,
Duma terra sem amos
A Internacional.

Messias, deus, chefes supremos,
Nada esperemos de nenhum!
Unamos forças e tornemos
A Terra-Mãe livre e  comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair deste antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós nos diz respeito!

Refrão (bis)
Bem unidos…

Crime de rico a lei o cobre,
O Estado oprime o desgraçado.
Não há direitos para o pobre,
Ao rico tudo é tolerado.
À opressão não mais sujeitos!
Somos iguais todos os seres.
Não mais deveres sem direitos,
Não mais direitos sem deveres!

Refrão (bis)
Bem unidos…

Abomináveis na grandeza,
Os reis da mina e da fornalha
Edificaram tal riqueza
Sobre o suor de quem trabalha!
Todo o produto de quem sua
A corja rica o recolheu.
Querendo que ela o restitua,
Reclama o povo o que é bem seu!

Refrão (bis)
Bem unidos…

Fomos de fumo embriagados,
Paz entre nós, guerra aos senhores!
Façamos greve de soldados:
Somos irmãos, trabalhadores!
Se a raça vil, cheia de galas,
Nos quer à força canibais,
Logo verá que as nossas balas
São para os nossos generais!

Refrão (bis)
Bem unidos…

Somos o povo dos activos
Trabalhador, forte e fecundo.
Pertence a Terra aos produtivos;
Ó parasitas, deixa o mundo!
Ó parasita que te nutres
Do nosso sangue a gotejar,
Se nos faltarem os abutres
Não deixa o sol de fulgurar!

Refrão (bis)
Bem unidos…

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